Elza Soares

Troféu homenageia Elza Soares

O Troféu Raça Negra 2016, considerado o “Oscar” da Comunidade Negra, vai homenagear a dona de uma das maiores vozes brasileiras de todos os tempos: a cantora Elza Soares, que voltou à cena recentemente e em grande estilo, com o elogiado álbum “A mulher do fim do mundo”. Eleita em 2000 como a “Melhor Cantora do Milênio” pela BBC, de Londres, e do alto dos suas seis décadas de carreira, Elza Soares vive atualmente a apoteose de uma vida dedicada à música com palcos uma “ópera” emocional que retrata as mazelas da sociedade, instigando o espectador à reflexão sobre a condição do indivíduo em uma sociedade violenta com críticas social e política da realidade brasileira e por que não do mundo.

Feminista e autêntica, Elza já enfrentou poucas e boas nesta sociedade machista. Chegou a ser xingada devido ao envolvimento com o jogador de futebol Garrincha. De voz inconfundível esta diva transformou as agruras da vida em belas canções e ao receber o convite para ser a grande homenageada da décima quarta edição do considerado “Oscar da Comunidade Negra”, que irá se realizar no dia 21 de novembro, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, a “Rainha da música brasileira”, como é conhecida em todo o mundo não titubeou ao dar o seu “sim”. Em 2009 Elza Soares recebeu a estatueta do Troféu Raça Negra em reconhecimento ao conjunto de sua obra. No entanto desta vez será entregue à cantora a desejada estatueta dourada.

Elza da Conceição Soares nasceu no Rio de janeiro e se casou pela primeira vez aos 12 anos. Aos 13 deu a luz ao primeiro filho e aos 21 anos ficou viúva. Aos 30 anos tornou-se uma sensação internacional sendo descrita como “uma mistura explosiva de Tina Turner e Celia Cruz” pela Time Out. Em 1969, perdeu a mãe Rosária Maria Gomes, num acidente. Ao todo Elza enfrentou a morte de cinco filhos, mas mesmo assim a cantora sempre se mostrou firme ao subir ao palco e expor seu maior talento: o de cantar.

Da infância pobre na Favela Moça Bonita ao estrelato, Elza Soares traçou um caminho de muita luta até conquistar o lugar que hoje ocupa e sempre mereceu. Atualmente, a artista apresenta o show A Mulher do Fim do Mundo, espetáculo e disco homônimo aclamados pelo público, que causaram enorme impacto na crítica brasileira, resultando nos prêmios de “Melhor Show Nacional”, da Folha de S.Paulo e do Estado de S.Paulo, de “Melhor Álbum”, pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) e de “Melhor Álbum de 2015” e “Melhor Música de 2015” (“Maria da Vila Matilde”) pela revista Rolling Stone Brasil.

Martinho da Vila, Nelson Mandela, Emílio Santiago, Martin Luther King Jr, Jair Rodrigues e Milton Nascimento, Michael Jackson, Wilson Simonal e Cartola foram alguns dos laureados nas edições anteriores do prêmio. A escolha de Elza Soares para integrar este seleto grupo reforça a importância de seu trabalho, principalmente neste momento em que vêm ganhando mais destaque as discussões relacionadas ao empoderamento feminino. “Elza Soares nos representa. Ela personifica a mulher negra, vitoriosa, que conseguiu conquistar o seu lugar mesmo em um universo ainda repleto de preconceitos relacionados à raça, gênero e condição social”, explica a presidente do Troféu Raça Negra, Francisca Rodrigues.